Paulo Bocca Nunes – 30 de dezembro de 2024
Tudo o que vemos é uma grande mentira. A luz das estrelas, por exemplo, é um reflexo do que já não existe mais. Elas brilham para nós a partir de um passado distante, um passado que, para elas, já foi consumido pela eternidade. Quando olhamos para o céu, estamos olhando para algo que já se foi, como se estivéssemos lendo as páginas de um livro escrito por um autor que não mais caminha entre nós.
A cada centelha de luz que alcança nossos olhos, estamos testemunhando a majestade de algo que já passou. Aquela estrela que hoje parece brilhar intensamente pode não existir mais. Sua luz viajou até nós, mas o seu fim já foi há muito tempo. Estamos prisioneiros de um passado que não podemos tocar, não podemos mudar, e muito menos compreender completamente.
E nós? O que vemos de nós mesmos? Temos brilho, como as estrelas? Ou somos apenas uma miragem fugaz, uma chama que acende e logo se apaga? Como seremos vistos daqui a séculos, quando o futuro olhar para as marcas que deixamos? Será que nossa existência será um eco distante no universo, como a luz de uma estrela que não existe mais, mas ainda é lembrada por aqueles que a observaram em um tempo distante?
Será que, assim como nós observamos o passado dessas estrelas, nossas próprias histórias serão olhadas por aqueles que virão depois de nós? Em um ponto distante da curva do tempo, onde tudo se encontra e se perde, talvez possamos encontrar o reflexo de nossa vida em algo que já se foi. Talvez sejamos apenas luzes que se apagam e, depois, se tornam constelações de memórias, de impressões que os outros carregarão.
Por enquanto, tudo o que temos são nossas impressões. Nossos sentimentos, nossos momentos, e tudo o que somos e fizemos. Eles são a nossa verdade, a nossa luz que viaja através do tempo, levando um pouco de nós para o futuro. O que podemos fazer é aprender com o passado de cada uma dessas estrelas, que, embora distantes, nos ensinam algo sobre a natureza do ser e do universo.
A verdade delas, que ainda resplandece em nós, é uma lição eterna. E assim, em nosso presente, podemos carregar um pouco da luz das estrelas – não a luz do agora, mas a luz que viaja de um passado distante, uma luz que, quem sabe, um dia encontrará seu caminho de volta para nós, em um outro ponto no tempo.