Coletânea de poemas. Há muitos movimentos entre as afeições, sentimentos e paixões humanas. Todas elas se deslocaram entre luas e éguas.

Tamanho: 14 x 21 cm
Número de páginas: 64
ISBN 978-85-66992-02-1
Livro Físico
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Entre Luas e Mares é um livro que nasce da recusa da solenidade. Logo na abertura, o autor declara: “Não sou poeta.” No entanto, essa negação inicial não é ausência — é despojamento. O que se encontra ao longo das páginas não é a pose do poeta, mas a presença do sentimento em estado bruto, capturado no instante em que acontece.
A obra constrói uma poética do momento. O tempo, aliás, é um dos seus grandes eixos. Ele aparece como névoa, como fumaça, como cura que tarda, como marca inevitável. Em poemas como Tempo, Tempo e Fumaça e Um Dia…, percebe-se uma consciência aguda da transitoriedade: tudo passa, dissolve-se, dispersa-se. Mas a palavra permanece como tentativa de retenção.
A natureza, por sua vez, não é cenário — é espelho da interioridade. A chuva é recorrente e assume múltiplas formas: namora, abandona, é infância, é saudade, é purificação. O céu, a lua, o mar e o vento formam um campo simbólico constante. A lua, especialmente, ganha desdobramentos afetivos e identitários em poemas como Lua Luana, Lua Mulher e Luas e Estrelas. Ela é mulher, menina, mistério, rosto, reflexo. Está sempre entre o distante e o íntimo.
O mar surge como metáfora da profundidade emocional. Em A Sereia Azul, talvez um dos poemas mais narrativos do livro, o mito dialoga com o desejo, com o medo e com a escolha. Ao invocar figuras como Netuno, Oceano, Aquelous e Proteu, o poema amplia o horizonte simbólico, mas termina afirmando algo simples e profundamente humano: escolher é ato do coração, não das circunstâncias.
O amor percorre o livro em diferentes estados: desejo, impossibilidade, indecisão, sonho. Em Amor sem Cura, a repetição quase circular dos versos constrói a imagem de um sentimento que existe apenas no pensamento — uma espécie de prisão afetiva. Já em Querer, o amor exige inteireza: não em partes, mas no todo. Não é um amor idealizado; é um amor consciente da própria vulnerabilidade.
Há também um traço marcante de metalinguagem. O autor dialoga com a língua, brinca com verbos, modos e tempos. Em O Verbo, a gramática ganha vida; em Faces de Haver, a conjugação se transforma em jogo poético; em Livro e Livros e Portas, a leitura é apresentada como experiência quase física, transformadora e libertadora. A palavra é matéria viva — e, ao mesmo tempo, insuficiente.
Filosoficamente, o livro habita o espaço do “entre”. Entre sonho e realidade. Entre silêncio e expressão. Entre menina e mulher. Entre céu e mar. Não há respostas absolutas — há questionamentos honestos. Em Dúvida Celeste e Indecisão, a incerteza não é fraqueza; é condição humana.
Esteticamente, os poemas alternam entre versos curtos, quase aforísticos, e composições mais narrativas. Essa variação cria ritmo e respiração. Há textos leves, quase lúdicos, como Que Tal um Chá ou Vento que Conta, e outros mais introspectivos, como Sensação ou Silêncio da Musa. O conjunto revela um eu lírico que transita entre contemplação, humor sutil e melancolia serena.
Entre Luas e Mares é, acima de tudo, um livro de travessia interior. Ele não promete finais grandiosos nem soluções definitivas. Oferece algo mais raro: reconhecimento. Ao leitor que já sentiu a chuva por dentro, que já duvidou do amor, que já se viu cercado e ainda assim só — este livro sussurra: você não está sozinho.
Entre o alto da lua e a profundidade do mar, existe um espaço sensível onde moram as perguntas que nos fazem humanos. É ali que este livro se instala. E é para lá que ele convida o leitor a viajar.
