CRÔNICAS

Dançando Com as Estrelas

Paulo Bocca Nunes – 30 de dezembro de 2024

O silêncio era absoluto, mas não vazio. A melodia invisível do universo preenchia o espaço entre as estrelas, e eu estava lá, suspenso, como um viajante sem destino. Não havia chão sob os pés, apenas o infinito azul que, aos poucos, se vestia de negro estrelado.

As estrelas dançavam. Não, elas não apenas brilhavam – elas se moviam em um ritmo que parecia eterno, um compasso que ecoava dentro de mim. Cada piscar de luz era uma lembrança. Pessoas que surgiram e partiram. Sorrisos que iluminaram os caminhos e silêncios que ecoaram como buracos negros na alma.

Vi rostos. Amores que perdoaram sem serem pedidos. Amigos que se foram sem um adeus. Vozes que falavam tanto e, de repente, calaram-se, mergulhando em um silêncio cósmico que nunca ousei quebrar. Eles estavam ali, ainda que apenas na memória – tão distantes quanto as estrelas, tão próximos quanto a luz que ainda alcançava minha pele.

O tempo, cural e ligeiro, não era mais uma linha, mas uma espiral que me envolvia. Eu girava com ele, sem saber para onde ir. Percebi que nunca havia parado para ver o quanto tudo se movia ao meu redor. Nunca vi o momento exato em que o tempo passou. Ele apenas passou, dançando com a mesma suavidade com que as estrelas brilhavam.

E então restamos eu e elas. Uma dança eterna. Não havia pressa, nem destino. Só a certeza de que a vida é esse movimento constante, feito de encontros, partidas, luzes e sombras.

Enquanto girávamos juntos, percebi que não era a música que tocava as estrelas. Era o coração que as acompanhava, pulsando em um ritmo que era só meu.

Na vastidão do céu, percebi que a dança não era um fardo, mas um convite. Um lembrete de que mesmo na solidão do universo, há beleza no movimento.

E assim, continuei. Não por obrigação, mas porque, naquele instante, dançar com as estrelas parecia ser tudo o que a vida esperava de mim.

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