Coletânea de poemas. A visão do tempo na vida humana. Os encontros e desencontros inevitáveis. Os olhares para um mundo inflexível.

Tamanho: 14 x 21 cm
Número de páginas: 92
ISBN 978-65-992322-5-1
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Extratos do Tempo é uma obra que nasce da travessia. Não se trata apenas de um conjunto de poemas reunidos ao longo dos anos, mas de um movimento de consciência que observa, interroga e atravessa o próprio tempo. O título já anuncia sua intenção: não são camadas arqueológicas da vida, mas porções retiradas dela — fragmentos concentrados de experiências, pensamentos e estados de espírito.
O tempo é a presença mais constante da obra. Ele não aparece apenas como medida cronológica, mas como personagem silencioso que escreve, marca, ensina e, às vezes, fere. Há momentos em que ele é responsabilizado pelas marcas do corpo e da memória; em outros, é tratado como parceiro inevitável de jornada. A obra sugere que o tempo não pode ser detido nem vencido — apenas compreendido. E compreender, aqui, é uma forma de permanência.
A imagem da estrada atravessa muitos dos poemas como metáfora central da existência. Caminhar, seguir, insistir, escolher — tudo se organiza em torno dessa ideia de percurso. A estrada não é apenas espaço físico, mas construção mental: ela se relaciona com pensamento, dúvida, coragem e decisão. Há uma tensão constante entre refletir demais e agir, entre antecipar o sofrimento e simplesmente dar o próximo passo. A obra parece sussurrar que o excesso de pensamento pode paralisar, mas a ausência dele pode desorientar. O equilíbrio é travessia.
Ao lado dessa dimensão existencial, há uma delicadeza contemplativa que se manifesta na observação da natureza: chuva, vento, lua, sol, tardes que descansam, manhãs de neblina. Esses elementos não são meros cenários; funcionam como espelhos da interioridade. A chuva pode confundir-se com saudade, a pouca luz pode tornar-se desejo, o céu pode parecer distante até revelar-se presente na própria terra. O universo, vasto e misterioso, dialoga com o tempo humano, sugerindo que somos apenas espectadores de uma união infinita que nos ultrapassa.
A obra também se permite momentos de ironia, crítica e jogo verbal. Há textos em que a linguagem brinca consigo mesma, explorando sons, repetições e construções quase infantis que revelam maturidade estética justamente por sua aparente simplicidade. Em outros momentos, a voz poética assume tom mais incisivo, voltando-se ao espaço público, à política, às contradições sociais. O íntimo e o coletivo coexistem, como se a vida pessoal e a história fossem capítulos do mesmo livro.
E talvez essa seja uma das imagens mais fortes que atravessam o conjunto: a vida como livro ainda em escrita. Um livro que só se fechará quando todos os caminhos forem percorridos, todos os conflitos enfrentados e todos os capítulos concluídos. Enquanto isso não acontece, resta escrever — e seguir.
Há, em Extratos do Tempo, uma poesia de maturidade. Não é a poesia do deslumbramento ingênuo nem do desencanto absoluto. É a poesia de quem já atravessou ciclos, reconhece a repetição das perguntas e, ainda assim, continua caminhando. A obra não oferece respostas definitivas; oferece consciência. Não promete atalhos; propõe passos.
No fim, o que se encontra nesses poemas são extratos de vida: instantes destilados, pensamentos em movimento, estradas que continuam abertas. Porque, enquanto o tempo passa, a palavra permanece — e é nela que a experiência encontra forma.
