Coletânea de contos. As diversas vidas humanas relatadas sob a ótica de um observador sentado em um banco de praça.

Tamanho: 14 x 21 cm
Número de Páginas: 112
ISBN 978-65-992322-6-8
R$ 43,00 + REMESSA PELO CORREIO
Livro impresso por demanda pela UiClap em parceria com a Hotmart.
Em um banco da Praça XV de Novembro, no coração de Porto Alegre, “uma pessoa” observa a vida passar. Pessoas cruzam seu olhar todos os dias — apressadas, distraídas, cansadas, esperançosas. Ele não sabe seus nomes, suas histórias ou seus destinos. Ainda assim, imagina.
É desse gesto simples — olhar e imaginar — que nasce Praça Quinze.
Cada conto do livro apresenta uma vida possível, construída a partir de detalhes quase invisíveis: um olhar perdido, uma roupa simples, um gesto repetido, um silêncio carregado. Ironias políticas e sociais se enlaçam numa imensa teia no centro da praça. Com uma linguagem marcada pela oralidade e por um narrador espontâneo, às vezes atrapalhado, às vezes sensível, o livro revela como a imaginação pode transformar desconhecidos em personagens e a rotina da cidade em palco de dramas, memórias e superações.
Praça Quinze é um livro sobre o ato de observar, sobre as histórias que criamos para preencher os vazios e sobre a humanidade que pulsa nos espaços públicos. Ao final, o leitor talvez descubra que, assim como o narrador, também inventa mundos quando olha para quem passa.
O QUE TRAZ O LIVRO
O Vagabundo
Neste conto, o narrador confronta uma das figuras mais julgadas do espaço urbano: o homem que parece não fazer nada. A partir de um olhar aparentemente simples, constrói-se uma história que questiona a pressa com que rotulamos o outro. O texto propõe uma reflexão sobre dignidade, invisibilidade social e o limite entre observação e julgamento. Quem é, afinal, o verdadeiro “vagabundo”: aquele que está parado ou aquele que não consegue enxergar além da própria pressa?
Ticinho
Aqui, a imaginação se mistura com afeto e humor. Ticinho surge como personagem quase mítico, nascido da observação cotidiana, mas elevado à condição de símbolo da infância que resiste às durezas do mundo. O conto trabalha com a memória e com a capacidade de transformar pequenos gestos em acontecimentos grandiosos. É também uma reflexão sobre como o olhar adulto tenta organizar — e às vezes distorce — a espontaneidade da juventude.
A Decisão do Campeonato
O futebol aparece como palco das paixões humanas. Mais do que narrar uma partida, o conto explora a intensidade emocional que envolve identidade, pertencimento e rivalidade. A decisão deixa de ser apenas esportiva e se torna metáfora de escolhas, derrotas e esperanças coletivas. Aqui, o narrador revela como eventos aparentemente simples podem carregar dramas profundos e mobilizar comunidades inteiras.
Maria Teresa
Talvez o conto mais inquietante do livro, “Maria Teresa” nasce de um olhar perdido na praça. A partir dessa imagem, o narrador constrói uma trajetória marcada por dificuldades, coragem e destino. O texto questiona até que ponto nossas histórias são determinadas pelas circunstâncias ou pela força interior. Ao mesmo tempo, revela a tendência humana de preencher o silêncio do outro com narrativas próprias.
Dona Madalena
Neste conto, a fé e a resistência atravessam gerações. Dona Madalena representa a experiência da migração, da seca, da adaptação e da esperança. Sua presença silenciosa inspira uma narrativa que celebra a força das mulheres anônimas que sustentam famílias e memórias. O texto dialoga com temas como espiritualidade, perseverança e a dignidade que se mantém mesmo diante das adversidades.
Maneco Mandolate
A história de Maneco ecoa como um mito urbano de superação. Da infância humilde às conquistas construídas com esforço, o conto examina o valor do trabalho, da oportunidade e da persistência. Ao mesmo tempo, levanta uma questão sutil: até que ponto precisamos acreditar nessas narrativas de sucesso para dar sentido às próprias lutas?
Até Logo
O texto de encerramento não oferece conclusão definitiva. Em vez disso, reafirma a continuidade da vida e da observação. O narrador se despede — mas apenas por enquanto. A praça permanece, as pessoas continuam passando, e as histórias seguem possíveis. O livro termina como começou: com alguém sentado em um banco, disposto a imaginar o mundo.
