{"id":2366,"date":"2025-01-13T13:17:23","date_gmt":"2025-01-13T16:17:23","guid":{"rendered":"http:\/\/pauloboccanunes.com.br\/?p=2366"},"modified":"2025-01-13T14:29:37","modified_gmt":"2025-01-13T17:29:37","slug":"ao-sabor-da-brisa-eterna","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/pauloboccanunes.com.br\/index.php\/2025\/01\/13\/ao-sabor-da-brisa-eterna\/","title":{"rendered":"Ao Sabor da Brisa Eterna"},"content":{"rendered":"\n<p><strong>Paulo Bocca Nunes &#8211; 26 de dezembro de 2024<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Observo pela janela a dan\u00e7a do tempo, que escorre pelas dobras da cortina. H\u00e1 algo hipn\u00f3tico na forma como o vento brinca, atravessando o vazio, levando consigo as folhas e os suspiros esquecidos de outros dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Eu, outrora t\u00e3o criativo, me entrego a essa for\u00e7a e\u00f3lica que me arrasta ao infinito dos meus pensamentos. Eles s\u00e3o trai\u00e7oeiros, ora bons, ora maus, ora sorrateiros, como sombras que se escondem e reaparecem no brilho da mem\u00f3ria. Esperam pacientemente pelas l\u00e1grimas da saudade \u2014 saudade de um outro tempo, de uma outra vida.<\/p>\n\n\n\n<p>Era o tempo em que eu sonhava, e os sonhos n\u00e3o eram perec\u00edveis. N\u00e3o havia data de validade para o que imaginava. O sonho era real, a realidade, poss\u00edvel. Havia uma conex\u00e3o fluida, quase t\u00e1til, entre o que queria e o que podia. Mas agora, ao olhar para o horizonte atrav\u00e9s da janela, vejo apenas os rastros do que foi.<\/p>\n\n\n\n<p>Trope\u00e7o no hoje, aos 63 anos de idade, como quem esbarra em uma pedra que sempre esteve ali, mas que nunca antes havia percebido. Os sonhos, aqueles companheiros fi\u00e9is de outrora, n\u00e3o se estabeleceram. Foram brincar com o vento.<\/p>\n\n\n\n<p>E o vento, esse mesmo que sopra agora pela janela, me faz um aceno. N\u00e3o sei se ele me convida a seguir ou se apenas se despede. Mas algo nele carrega uma promessa, um lembrete: ainda h\u00e1 tempo para dan\u00e7ar, para permitir que a vida sopre novos sonhos em minha dire\u00e7\u00e3o. E quem sabe, como as folhas que ele carrega, eu tamb\u00e9m possa encontrar um novo rumo ao sabor dessa brisa eterna.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-color has-link-color has-medium-font-size wp-elements-4567fcea18367db11c1526a0491bf21a\" style=\"color:#ff0000\"><strong>Ao Sabor da Brisa Eterna &#8211; Poesia<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Pelas dobras da cortina, o tempo escoa,<br>Um rio invis\u00edvel que o vento conduz.<br>Brincam as folhas, dan\u00e7am as sombras,<br>E em cada suspiro, um eco reluz.<\/p>\n\n\n\n<p>Outrora criativo, ergui meus castelos,<br>Sonhos imensos, reais e poss\u00edveis.<br>Hoje, aos 63, encaro os espelhos,<br>Onde o tempo escreve linhas invis\u00edveis.<\/p>\n\n\n\n<p>Ah, os pensamentos, trai\u00e7oeiros que s\u00e3o,<br>Ora bons, ora maus, ora s\u00f3brios e tardios.<br>Guardam saudades de eras douradas,<br>Quando o sonho era eterno, sem desafios.<\/p>\n\n\n\n<p>Os sonhos fugiram, dan\u00e7ando no vento,<br>Como folhas ao longe, brincando na brisa.<br>Mas o vento, audaz, traz seu alento,<br>Um gesto sutil que a alma avisa.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cAinda h\u00e1 tempo,\u201d ele sussurra e chama,<br>\u201cDeixe o passado ser poeira ao ch\u00e3o.<br>Erga-se, humano, renove a chama,<br>Pois o futuro \u00e9 teu, uma nova can\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, na janela, contemplo e aceito,<br>Que a vida \u00e9 um vento, incessante e voraz.<br>Que os sonhos que dan\u00e7am, talvez imperfeitos,<br>Podem voltar, se eu for capaz.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Paulo Bocca Nunes &#8211; 26 de dezembro de 2024 Observo pela janela a dan\u00e7a do tempo, que escorre pelas dobras da cortina. 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