Paulo Bocca Nunes
É estranho como as relações se tecem.
Num instante, o universo parece moldar um mundo só para dois.
No momento seguinte, tudo se torna distante, inatingível, irreconhecível.
Duas partes de um mesmo todo, antes íntimas, cúmplices, guardiãs de segredos,
agora são estranhas, desconhecidas, como estrelas que já brilharam juntas,
mas que seguem solitárias em órbitas diferentes.
E se amanhã nada mais for o que foi?
Se o que parecia eterno se dissolver no tempo?
Cabe apenas a mim guardar ou esquecer,
aceitar os silêncios sem perguntar,
seguir em frente sem precisar contar ao mundo
o que ganhei e o que perdi.
Porque no fim, a vida é feita de encontros e despedidas,
de abraços e ausências, de promessas e esquecimentos.
E o que um dia foi um mundo para dois
pode se tornar apenas lembrança
no vasto e incrível mundo das distâncias.